Lúcio Mosquini

Convenção do MDB: Falta de habilidade de Lúcio Mosquini estimula  oposição

A julgar pelo andamento do desfile, o “Bloco do Eu Sozinho” que o deputado Lúcio Mosquini tem imposto ao MDB desde sua posse na Presidência, para desespero dos demais foliões, corre o risco de ser desclassificado. A abertura das urnas na convenção regional do Partido será o julgamento de seu desempenho. Programado para esta sexta-feira, véspera do sábado de aleluia, o encontro pode resultar em rebaixamento para as pretensões do deputado e, permanecer no comando da sigla.

É claro que seu estilo imperial de conduzir o MDB desde a posse no comando da instituição sempre desagradou os foliões, especialmente da “Velha Guarda” do partido. De uma forma geral, todos queriam o senador Confúcio Moura no comando partidário. Essa insatisfação, somada ao pífio desempenho eleitoral em 2020, produziu um isolamento que, se bom para o combate à contaminação pela pandemia, é péssimo para uma instituição que se propõe a ser “agremiação partidária”, não exclusividade do seu presidente.

A gota d’água desse desencanto dos militantes com o presidente pode ter sido o convite, formulado sem ouvir ninguém, a João Gonçalves Silva Júnior, reeleito em 2020 pelo PSDB de Jaru, para sair candidato ao governo do estado pelo MDB. O convite, prontamente recusado, além de desgastar a imagem do partido que comanda, ainda ofereceu ao jovem prefeito não apenas uma oportuna notoriedade político/eleitoral, como credenciamento para ocupar o cargo de vice ou qualquer outra vaga na chapa do governador Marcos Rocha. 

É que, além de recusar o convide do MDB, João Gonçalves cobriu de elogios a administração de Marcos Rocha. Não se pode esquecer que seu primo, Júnior Gonçalves é ali o principal expoente. Ou seja: Lúcio Mosquini atirou no próprio pé ao amplificar fortemente a insatisfação, que já não era pouca, dos peemedebistas com sua atuação na presidência regional da sigla. Isso pode ficar evidente na convenção desta sexta-feira..

Caos na saúde

Servidores denunciam

colapso na saúde: “Quantos

terão que morrer até que

alguém tome uma atitude?” 

O documento da direção do Cemetron, encaminhado à Sesau e a todas as unidades de saúde do estado, além de anunciar a suspensão do recebimento de novos pacientes, denuncia e documenta o “colapso na saúde pública” rondoniense, em razão da falta de recolhimento de lixo hospitalar. Mas o caos instalado na saúde vai muito além disso. Passa pela suspensão de procedimentos cirúrgicos no Hospital de Base, João Paulo II e Cosme e Damião, em função da absurda falta de bisturis e até esparadrapo, para testemunhar a incompetência governamental na administração dos fabulosos recursos destinados constitucionalmente à saúde pública no orçamento do Estado e da União.

A denúncia parte dos próprios servidores da Sesau, numa tentativa de  verbalizar sua indignação e obviamente temerosos de represálias. Assustados com os riscos de contaminação, eles classificam  essa comprovação oficial expressa no documento assinado pela direção do Cemetron como uma convocação aos setores responsáveis pela fiscalização para que alguma atitude seja adotada. O problema foi emergencialmente corrigido com a prorrogação do contrato da empresa, que voltou a recolher o lixo. Mas a origem permanece a mesma, ou seja, a incompetência e a irresponsabilidade forami também emergencialmente prorrogadas. Daí a razão da pergunta: quantos mais precisarão morrer para que alguma atitude seja tomada pela Assembleia, Ministério Público, TCE e Judiciário? Até quando continuarão a fingir que não é com eles? É preciso lembrar – observa um experiente jurista ouvido pelo Blog – que esta situação se enquadra como cerceamento ao exercício de um direito individual e social, o que se constitui em crime de responsabilidade (lei 1.079/50).

Antes que algum idiota se apresse a dizer que estou a manifestar mágoa pela derrota de meu candidato, informo que Isso não me assusta, não provoca, nem merece que eu possa deixar de lado uma questão de tamanha gravidade para perder tempo e dar atenção à mesquinharia de quem se preocupa exclusivamente com a manutenção de sinecuras e boquinhas. É preciso olhar com atenção para a aterradora realidade que se anuncia. Porque todos sabemos que, ao final das contas, os poderosos vão recorrer aos caríssimos tratamentos dos hospitais particulares, enquanto sobre os despossuídos paira a imagem de corpos lançados em caminhões frigoríficos ou sepulturas apressadamente abertas, sem velório ou último adeus”.
Não é admissível que isso possa acontecer justamente no momento em que os índices de contaminação da Covid apontam para forte recrudescimento. É preciso que todos se manifestem, especialmente porque também na esfera municipal o setor de saúde está sucateado. E que a maioria dos médicos tem férias programadas para o final do ano, um direito inquestionável que, no entanto, poderia ter sido administrado com soluções negociadas logo no início da pandemia, caso algum planejamento houvesse. E a economia voltará a ser fortemente afetada, mesmo que se consiga afastar a perspectiva de lockdown, porque o medo não se anula  por decreto. .

Autoengano

CHEGA DE AUTOENGANO

Que ninguém se iluda: quem determina o isolamento é o medo. É pelo medo que uma parcela do público se agarra ao discurso de Mandetta, outra de Bolsonaro. Pode até ser adotado o isolamento vertical, mas quando a coisa apertar não vai funcionar. Reabrir o comércio para quê? Ninguém vai sair para comprar, a não ser nos supermercados.

E lá pelo final de maio, quando a morte pegar vizinhos, parentes e colegas de trabalho  vai ficar difícil até  achar quem queira sair de casa para trabalhar. O medo da fome será muito menor, até porque ela nunca deixou de existir . Os políticos que agora manifestam preocupação com a perspectiva de fome demonstram que nunca dela antes tomaram conhecimento, a não ser como figura de retórica.

Ou seja: para salvar a economia é preciso cuidar primeiro da saúde. É preciso alongar a tal curva de incidência para preservar o sistema hospitalar do colapso, porque aí será o caos. Pessoas vão morrer, então, de um amontoado de males que continuam aí, precariamente controlados. Socorrer a economia, só depois que todos se sentirem socorridos.

Energisa II

Ceron demite 70 servidores
e desativa atendimento local

A Energisa/Ceron confirma o que foi anunciado aqui em 14 de março: o call center local será mesmo desativado e todos os servidores da empresa que presta esse serviço à empresa já estão em aviso prévio. Com isso, os consumidores somente poderão reclamar ou buscar informações  com a Energisa Multiserviços, que vai concentrar o atendimento a todas as 11 empresas distribuidoras de energia do grupo.

Ou seja: ao contrário do que não explicou a nota distribuída pela Ceron, a empresa pode até estar programando investimentos milionários no estado, mas por hora o que o rondoniense recebe é o brutal aumento da conta, para pagar por um deficit orçamentário para o qual não contribuiu. E somente poderá se queixar a alguém que possivelmente imagine que Porto Velho é capital de Roraima. 

Ou seja: o serviço aqui instalado após sucessivas reclamações de usuários, Procon e até a decisiva intervenção do Ministério Público será substituído pelas insuportáveis gravações. O público será obrigado a passar pela interminável sucessão de números a serem teclados para submeter a paciência de quem paga as elevadas contas a uma verdadeira maratona. Que termina, na maioria dos casos, com mais uma gravação: “No momento, todos os nossos atendentes estão ocupados. Ligue mais tarde”.

A situação, aparentemente,  vai ficar por isso mesmo, da mesma forma que o aumento absurdo das tarifas – com redução de 7.42% determinada pela ANEEL – ficará por isso mesmo, não importa quantos empresários sejam obrigados a fechar as portas e incorporar multidões às filas dos desempregados, por absoluta incapacidade de arcar com os custos da energia. O nível de preocupação da Energisa em relação ao à clientela rondoniense se aproxima do menoscabo absoluto.

É o preço da redução de 20% nas contas, imposto por Dilma Rousseff para a própria reeleição. As operações de crédito contratadas com os bancos e cobrada na conta de energia de cada infeliz desde novembro de 2015, vão extorquir o público consumidor até abril de 2020. O consumidor de todo o país paga, atualmente R$ 8,4 bilhões/ano (R$ 703 milhões/mês) para amortizar o empréstimo contraído para salvar o sistema da falência..

E mais: quem sobreviver a essa garfada terá que repassar o pesado custo adicional ao consumidor final, conforme já está acontecendo em diversos segmentos da economia. Não se sabe se está aí o “compromisso com o desenvolvimento da região” anunciado na nota da empresa. O certo é que o custo de vida por aqui vai prosseguir com a tendência de elevação com o qual o público consumidor se surpreende a cada dia nos caixas dos supermercados. Ou seja: o rondoniense está pagando duas vezes pela elevação das tarifas de energia, em sua casa e embutido nos preços praticados no mercado. 

Tudo isso sem contar que o próprio fisco estadual também se delicia nessa farra. Se você ler com atenção sua conta de energia verá que a base de cálculo é composta por 46.95% referente à produção de energia. Em seguida, 17,37% correspondem à distribuição, 0,67% de transmissão, 28,51% de tributos e 6,50% de “encargos setoriais” (que devem embutir o tal empréstimo, mas a “ajuda” para pagamento das termelétricas. Aí vem o absurdo: o ISMS, do estado, é aplicado em 20% sobre o total, acompanhado de 1,57% de PIS e 6,94% relativos ao Confins. Ou seja: os custos da energia são taxados duas vezes, a título de impostos. Triste Brasil.

Miguel de Souza pode ajudar governo de Rondônia em Brasília

Especialmente no momento em que o Sipam anuncia nova enchente, quase nos moldes daquela ocorrida em 2014, com grave potencial de calamidade. Para o governador e a quase totalidade de seu secretariado que têm pouca ou nenhuma experiência na área federal, aqui vai uma dica: o ex-deputado Miguel de Souza, atualmente na Valec, pode ajudar muito Leia mais em www.blogdocha.com.br

Miguel de Souza sabe, por exemplo, que não basta a boa vontade do presidente ou dos ministros para fazer acontecer da forma que as carências exigem: se não houver acompanhamento e muita conversa nos escalões inferiores os obstáculos se acumulam e as coisas não andam. Não se trata aqui de corrupção. É que são poucas as pessoas que decidem, geralmente servidores públicos de carreira, extremamente criteriosos, com larga experiência e acúmulo de serviço por falta de pessoal. 

Um projeto de engenharia, por exemplo, pode ter pequenas falhas, de fácil correção, e ser devolvido por vias burocráticas, o que implica em retardar seu andamento por meses. Uma imensa perda de tempo. Até porque, ao retornar, ele pode ocupar o final da fila, para voltar a ser analisado sabe-se lá quando. Mas alguém que tenha acesso ao setor pode mobilizar os responsáveis, providenciar os reparos necessários, e em poucos dias resolver o problema.  Ademais, não se pode esquecer que todos os demais estados, com maior representatividade e politicamente mais poderosos, estarão na fila, com igual propósito. Quem já esteve por lá sabe bem como funciona. 
Não custa, ainda lembrar que Miguel de Souza foi quem lançou. como presidente da Fiero, a saída para o Pacífico, em busca da abertura de mercados, inclusive asiáticos, para a produção rondoniense e brasileira. Foi decisiva sua atuação para viabilizar as obras das pontes sobre o rio Madeira na área urbana de Porto Velho e no distrito de Abunã. Defendeu e patrocinou o projeto da ponte binacional de Guajará-Mirim. Colaborou para viabilizar o asfaltamento da BR-429 e os projetos de recuperação da BR-364, de Vilhena à divisa com o Acre, com duplicação de pistas em todos os trechos urbanos. O agronegócio rondoniense também deve muito a ele, não apenas por sua atuação quando vice-governador e titular da pasta de agricultura, como pelo escoamento da produção.

Conta outra Catta Preta

Ainda a respeito das ameaças anunciadas em rede nacional pela advogada Beatriz Catta Preta, a quem desde o início defendi, mas contra quem me coloquei na defensiva depois da entrevista, continuo com a curiosidade açulada para saber de onde, diabos, ela tirou as ameaças que determinaram a decisão radicalíssima de fechar o escritório e abandonar a clientela e até mesmo a profissão. Como atua há mais de 20 anos no crime – onde inclusive conheceu o marido – ela deveria trafegar, como demonstrou nas oito delações premiadas que negociou, com absoluta desenvoltura, numa área que provocaria taquicardia em qualquer dos mortais comuns, entre os quais me posto.

Isso amplia a gravidade da denúncia, posto que não seria qualquer cara feia que iria desestabilizar Catta Preta. A ponto de fazê-la  largar tudo, inclusive o país, coisa que desmentiu em público mas que havia anunciado para vários interlocutores, até para justificar o abandono da clientela. Como disse, ela espicaça e acicata minha bisbilhotice profissional. Está certo que o padrão de relacionamentos da advogada envolve um patamar inimaginável para quem está fora. O jogo é definitivamente muito pesado quando envolve empresas gigantescas, governo e demais poderes. E muitos bilhões de dinheiro sujo. Mas não o dinheiro dela, não importa quanto ganhou, é legal e insuspeito. A menos que tenha recebido “por fora” lá fora e nada tenha declarado.

Sobre os suspeitos por ela elencados, duvido que possa aponta-los na ação judicial que Eduardo Cunha anuncia mover contra ela. Ocorreu-me, a propósito, um trecho de “O Poderoso Chefão”, de Mário Puzo, que encontrei no Google. Foi no discurso que Don Vito Corleone fez para os mais importantes “capos” do país: “Sou um homem supersticioso, um defeito ridículo que devo confessar aqui. Se algum incidente infeliz ocorrer ao meu filho caçula, se algum oficial da polícia acidentá-lo, baleá-lo, se ele se enforcar na prisão, minha superstição me fará sentir que foi o resultado da má vontade que algumas pessoas aqui presentes ainda alimentam a meu respeito”.

 – “Se meu filho for atingido por um raio” – continuou ele – “culparei algumas das pessoas aqui presentes. Se seu avião cair no mar ou seu navio afundar, sele pegar uma febre mortal, se seu automóvel for colhido por um trem, tamanha é minha superstição que porei a culpa na má vontade de algumas pessoas aqui presentes. Senhores: essa má vontade, esse azar, eu jamais esquecerei”.

 Isso pode ser aplicado integralmente no caso da advogada. Se ela escorregar, cair e bater com a cabeça, a culpa vai cair no colo do presidente da Câmara. Lula, dona Dilma e todo o PT haverão de assegurar de que ninguém se esqueça disso. Daí que, encurralado, Eduardo Cunha não tem alternativa senão obriga-la a apontar judicialmente aqueles que acusa pelas ameaças. Ou admitir publicamente que mentiu, o que talvez seja o melhor a fazer, consideradas as circunstâncias. 

Mas Eduardo Cunha deve se precaver, inclusive com garantia da segurança física da advogada e familiares. Vai que acontece um azar? É muito grande o risco de que as tais ameaças sejam efetivamente cumpridas por alguém que tenha interesse em complicar a vida do presidente da Câmara. Gente capaz de mandar fazer isso existe aos montes. A família de Celso Daniel que o diga.

BLOGDOCHA
CATTA PRETA

Publiquei no Facebook uma nota sobre o assunto. Disse que embora o país esteja moralmente endividado com a advogada Beatriz Catta Preta, pelo recorde histórico de delações premiadas por ela conduzidas para tirar a máscara de bom moço de um monte de bandidos milionários à custa de nosso dinheiro, acredito que a causídica esteja a dever ao público uma explicação mais verossímil do que aquela exibida na Globo. 

Ela se diz ameaçada, mas quem seria louco a ponto de atentar contra sua vida nesse momento? O presidente da Câmara? Nem pensar. No caso dele eu providenciaria uma escolta poderosa para a advogada. Se cai um raio sobre sua cabeça com certeza a culpa será de Eduardo Cunha, pois não?
Aí tem coisa e o mais provável é que ela esteja apavorada com a possibilidade dessa coisa vir a ser descoberta.Um leitor protestou em comentário no Blog. Disse que estou muito imaginativo e que minha nota parece mais uma investida pelos caminhos da teoria da conspiração. Respondi que a realidade brasileira demonstra ser desnecessário teorizar coisa alguma. Como diziam velhas raposas udenistas de Minas Gerais, “a situação está de vaca estranhar bezerro”.

Corrupção e revolta

 

– por Andrey Cavalcante

O país assiste, absolutamente atônito e justificadamente indignado, ao recrudescimento da corrupção política e administrativa em todos os níveis. É uma verdadeira endemia, que violenta os mais elementares princípios do respeito ao dinheiro público desviado indubitavelmente e em análise final da mesa de cada família. Afinal, os sucessivos escândalos refletem diretamente na economia, comprometem investimentos produtivos, reduzem a oferta de empregos e estimulam o crescimento da inflação. O resultado de tudo isso pode ser resumido em uma palavra: revolta.

Diante desse cenário, a OAB Rondônia, por absolutas fidelidade e coerência com os princípios que desde sempre nortearam sua atuação pautada na defesa da lei, da justiça, da ordem constitucional e dos interesses da população, cumpre o dever de registrar integral apoio às manifestações públicas, legítimas, pacíficas e ordeiras, conforme estabelece o artigo 5º da Constituição Federal.

 Vale lembrar que a capacidade de mobilização e a participação política são referenciais importantes para o aprimoramento e reafirmação do Estado Democrático de Direito, na medida em que o Estado abre possibilidade para a atuação no sentido não só de representação popular, como é o caso de eleições, mas possibilidades que permitem a participação efetiva da sociedade civil, rompendo as fronteiras existentes entre o Estado e os cidadãos e aproximando-os. Ou seja: as manifestações populares repousam no manto do exercício da democracia,


Isto posto, nada impede que os advogados rondonienses, enquanto cidadãos, possam participar e manifestar seus descontentamentos em relação à situação atual. É importante salientar, contudo, que eles representam individualmente todos os pressupostos que alicerçam a instituição OAB como um todo. A representatividade da Ordem, portanto, repousa sobre cada um de seus integrantes que, somados, consubstanciam seu imenso poderio institucional.

Daí porque é recomendável a atenção de cada um para as decisões do Colégio de Presidentes das Seccionais da OAB, que constam da Carta de Florianópolis divulgada dia 6 naquela cidade, no lançamento da Campanha Nacional contra a Corrupção. O documento assinala que os recursos drenados pela corrupção são subtraídos dos investimentos necessários à plena garantia dos direitos fundamentais. Quem suporta os maiores ônus da corrupção são as camadas pobres da população, que mais necessitam dos serviços prestados pelo Estado. A eliminação da corrupção é elemento essencial para o progresso econômico e social do País.

E acrescenta que a gravidade e a recorrência dos casos de corrupção demonstram que o problema possui abrangência sistêmica no Brasil.  Não são episódios isolados, mas integram um ambiente geral, consolidado historicamente, que abrange todas as esferas da administração pública brasileira. Problemas sistêmicos demandam soluções sistêmicas. A Reforma Política Democrática assume uma dimensão estratégica. O financiamento empresarial das campanhas eleitorais degrada a vida política brasileira e corrompe as estruturas administrativas. O País não mais comporta o protagonismo político das empresas, que não fazem doações, mas investimentos, esperando retorno na forma de vantagens em contratos junto à administração e outros privilégios ilícitos.

A carta defende a conclusão do julgamento da ADI 4.650, contra o financiamento empresarial das campanhas, e a criminalização do chamado “caixa 2”, que nada mais é do que o resultado do desvio sistemático e praticamente institucionalizado dos recursos públicos e a aplicação da Lei da Ficha Limpa para todos os cargos públicos.  E reafirma ainda que aOAB, Voz Constitucional do Cidadão, reitera o seu compromisso com o Estado de Direito e os postulados da Constituição da República, basilares para a edificação de uma sociedade justa, fraterna e solidária.

“O germe da corrupção administrativa está na corrupção eleitoral”, afirma o presidente nacional da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho. Ele manifestou apoio integral às decisões do Colégio de Presidentes, que defende ainda, na Carta de Florianópolis, a modernização do processo ético-disciplinar no âmbito da OAB, a  importância fundamental da manutenção do Exame da Ordem e a necessidade de pagamento dos precatórios com a correção de acordo com a inflação, diante da inconstitucionalidade da TR.

Para o vice-presidente nacional da OAB, Claudio Lamachia, a corrupção sem precedentes vivida hoje pelo país deixa nauseada a sociedade. Ele assinala que merece também repulsa a postura de agentes políticos que pretendem negar o papel institucional do Poder Judiciário e do Ministério Público, que devem ter a segurança e a independência necessárias para o exercício de suas atividades, que precisam ser desenvolvidas em nome da sociedade, para a sociedade e em respeito à sociedade.  

É importante salientar que a OAB, conclama cada um de seus filiados a permanecer atento e vigilante contra qualquer tentativa de desvirtuar o caráter ordeiro e pacífico das manifestações. Bem como repudiar, conforme já deixaram claro os organizadores, a sua descaracterização, pela infiltração de pregações político-partidárias, mascarados, baderneiros e provocadores.

* Andrey Cavalcante é presidente da OAB Rondônia

Advogado ganha destaquepelos “causos” que produz

Um advogado rondoniense, que tem se destacado nos meios jurídicos pela frequência com que oferece material para chacota generalizada em torno de seu nome. O leitor haverá de perdoar o trocadilho, mas o causídico se notabiliza mais pelos “causos” que produz do que pelas causas que defende. Imagino que alguém já o deva ter informado sobre isso, mas não há indícios de mudança de comportamento. 

O sujeito definitivamente se considera credenciado a emitir opiniões estapafúrdias sobre tudo, especialmente na área política. Apesar de conhecido, ele acaba se incorporando às campanhas eleitorais da região, especialmente por apregoar virtudes que definitivamente não possui, o que também não chega a ser grande problema, pois que a ignorância dos contratantes, geralmente, não lhes permite avaliar.

Como, no entanto, não interessa ao blogueiro a identificação da figura, abstenho-me de citar alguns de seus casos conhecidos que, seguramente, poderiam identifica-lo, pois são dignas de integrar o livro “Desordem no Tribunal”, frequentemente citado, mas nunca encontrado (o mais provável é que alguém tenha compilado os textos amplamente divulgados a partir das transcrições dos taquígrafos dos tribunais). É claro que as pessoas vão encontrar algumas semelhanças, mas posso afirmar que não passam de mera coincidência. De qualquer forma, merecem reprodução as verdadeiras pérolas aqui selecionadas.

1 – Advogado: Qual é a data do seu aniversário?
Testemunha: 15 de julho.
Advogado: Que ano?
Testemunha: Todo ano.

2 – Advogado: Essa doença, a miastenia gravis, afeta sua memória?
Testemunha: Sim.
Advogado: E de que modo ela afeta sua memória?
Testemunha: Eu esqueço das coisas.
Advogado : Você esquece… Pode nos dar um exemplo de algo que você tenha esquecido?

3 – Advogado: Que idade tem seu filho?
Testemunha: 38 ou 35, não me lembro.
Advogado : Há quanto tempo ele mora com você?
Testemunha: Há 45 anos.

4 – Advogado: Qual foi a primeira coisa que seu marido disse quando acordou aquela manhã?
Testemunha: Ele perguntou –  “Onde estou, Bete?”
Advogado : E por que você se aborreceu?
Testemunha: Meu nome é Célia.

5 – Advogado: Seu filho mais novo, o de 20 anos…
Testemunha: Sim.
Advogado: Que idade ele tem?

6 – Advogado: Sobre esta foto sua… O senhor estava presente quando ela foi tirada?

7 – Advogado: Então, a data de concepção do seu bebê foi 08 de agosto?
Testemunha: Sim, foi.
Advogado: E o que você estava fazendo nesse dia?

8 – Advogado: Ela tinha três filhos, certo?
Testemunha: Certo.
Advogado: Quantos meninos?
Testemunha: Nenhum
Advogado: E quantas eram meninas?

9 – Advogado: Sr. Marcos, por que acabou seu primeiro casamento?
Testemunha: Por morte do cônjuge…
Advogado: E por morte de que cônjuge ele acabou?

10 – Advogado: Poderia descrever o suspeito?
Testemunha: Ele tinha estatura mediana e usava barba.
Advogado: E era um homem ou uma mulher?

11 – Advogado: Doutor, quantas autópsias o senhor já realizou em pessoas mortas?
Testemunha: Todas as autópsias que fiz foram em pessoas mortas…

12 – Advogado: Aqui na corte, para cada pergunta que eu lhe fizer, sua resposta deve ser oral, Ok? Que escola você frequenta?
Testemunha: Oral.

13 – Advogado: Doutor, o senhor se lembra da hora em que começou a examinar o corpo da vitima?
Testemunha: Sim, a autópsia começou às 20h30min.
Advogado: E o Sr. Décio já estava morto a essa hora?
Testemunha: Não… Ele estava sentado na maca, se perguntando por que eu estava fazendo aquela autópsia nele.

14 – Advogado: Doutor, antes de fazer a autópsia, o senhor checou o pulso da  vítima?
Testemunha: Não.
Advogado: O senhor checou a pressão arterial?
Testemunha: Não.
Advogado: O senhor checou a respiração?
Testemunha: Não.
Advogado: Então, é possível que a vítima estivesse viva quando a autópsia começou?
Testemunha: Não.
Advogado: Como o senhor pode ter essa certeza?
Testemunha: Porque o cérebro do paciente estava num jarro sobre a mesa.
Advogado: Mas ele poderia estar vivo mesmo assim?
Testemunha: Sim, é possível que ele estivesse vivo e cursando Direito em algum lugar!

Constituição agredida

Constituição agredida
Andrey Cavalcante

Artigo 60 § 5º da Constituição: “A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa”. Não pode, ponto. Não cabe discussão. Não sabe o Regimento Interno da Câmara. Não importa se o texto derrotado na terça-feira saiu de comissão especial, se era o texto original ou resultado de emenda aglutinativa. O objeto é a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Isso foi reprovado. Todo o resto são firulas regimentais que haverão de permanecer circunscritas ao ambiente dominado pelo deputado Eduardo Cunha. A segunda votação é, portanto, inconstitucional. Assim como a proposta de emenda, que altera uma cláusula pétrea da Carta.

Valeu tudo no episódio até agora. Menos responsabilidade, postura ética, respeito e bom senso. O jornalista Ricardo Noblat observa que poucos foram os que ensaiaram, na Câmara, um discurso mais consequente – seja para aprovar ou derrotar a proposta. Ele observa ser fato que a maioria esmagadora dos brasileiros – 87% segundo pesquisa Datafolha – deseja a redução da maioridade penal. “Mas, e daí? Desde quando a vontade de maiorias ocasionais deve ser satisfeita? Se perguntarem se o sujeito é a favor da pena de morte, é possível que a maioria responda sim. Num passado nem tão distante, a maioria já foi favorável à manutenção da escravidão”. Ele aduz ainda que uma eventual pesquisa sobre se o fechamento do Congresso é melhor para o país, a resposta será provavelmente um assustador “sim”. É claro que ninguém vai pensar em atender.

Mas embora absolutamente coerente, seu comentário mereceu uma saraivada de manifestações furiosas dos leitores, o que comprova que o debate já abandonou o campo da razão para situar-se na zona morta da paixão, na qual não inexistem argumentos capazes de saciar a sede de uma população que não suporta mais a insegurança, a violência, a corrupção e a impunidade, companheiros inseparáveis de jornada a vida brasileira. Mas as pessoas sensatas sabem que a simples redução da maioridade penal não melhora a vida de ninguém, a não ser dos deputados da bancada da bala, que se elegeram prometendo lutar contra a criminalidade e são incapazes de exibir alguma proposta minimamente razoável.

E mais: testemunha a absoluta falta de seriedade na condução do assunto a mobilização, madrugada adentro e logo após a derrota na votação original, da tropa de choque do deputado Eduardo Cunha para mapeamento da votação e cabalagem dos votos passíveis de revisão. Para a conquista dos seis necessários, foram suprimidas do texto reprovado referências ao narcotráfico – principal foco de aliciamento de menores para o crime – e até mesmo a proibição do contingenciamento orçamentário de programas socioeducativos e de ressocialização de menores em conflito com a lei.

O fato é que o deprimente espetáculo de horrores não acabou. O assunto ainda terá que ser submetido à segunda (que na verdade é terceira) apreciação em plenário para ser apreciado no Senado. Envolve, de passagem, a disputa entre Eduardo Cunha e o governo, o enfraquecimento da posição do vice Michel Temer como timoneiro da galera política governamental e as manifestas insatisfações do presidente  Renan Calheiros.  Além – desnecessário dizer – da demora na liberação de emendas parlamentares e das indefectíveis nomeações de apadrinhados desta ou daquela liderança para os cargos de segundo escalão – coisinha de nada, que arrepia de terror qualquer um dirigente dotado de um mínimo de seriedade no trato com a administração pública. Em meio a tudo isso, estarão igualmente presentes os manifestantes contratados e outros em busca de holofotes, que não convencem a mais ninguém. Não se sabe como ainda não apareceram os black  blocs a serviço das esquerdas.A OAB reafirma, porém, seu compromisso de manter o foco no respeito à constituição e de não se deixar envolver nessa baderna demagógica que se instalou na discussão de uma questão de tamanha gravidade como a segurança pública. Vamos arguir a dupla inconstitucionalidade do projeto caso ele venha a ser aprovado no Senado. E mobilizar a sociedade civil organizada para um amplo debate capaz de apontar providências realizáveis e eficazes para o problema da criminalidade. Sem excludências, demagogia e/ou primariedade mental. Mas dentro do absoluto respeito às leis e às instituições democráticas. É, em última análise, o que a população brasileira de fato espera. E merece.

Viadutos: obras são retomadas em julho

Quando escrevi, em 06 de novembro de 2013, que as obras dos viadutos de Porto Velho somente seriam retomadas em julho deste ano, cheguei a ser considerado exageradamente pessimista. Pois bem. Agora que está lançado o edital, posso assegurar que mesmo com a adoção do Regime Diferenciado de Contratações – RDC (uma estrovenga criada pela MP 630/13 para burlar a lei 8.666 nas obras da copa, do PAC e de tudo o mais que possa atrapalhar o projeto de reeleição de Dona Dilma), o reinício das obras só sai a partir de julho. E, convenhamos, depois de tanta demora e tanto sacrifício impostos à população da capital e usuários da rodovia não está mais tão longe assim.  

O valor estimado do trabalho remanescente gira em torno de R$ 60 milhões e pelo menos uma empresa de capacidade reconhecida na cidade já manifestou disposição de participar.O certo é que, uma vez selecionada a vencedora da licitação, os viadutos poderão ser entregues à população ainda este ano.A empreiteira citada é a EMSA, que deve abrir a ponte sobre o rio Madeira ao tráfegode veículos provavelmente  em setembro. Não custa lembrar que a ponte, a não ser pela resistência de alguns moradores claramente manipulados, teria sido a única obra do governo federal concluída dentro do prazo em Rondônia. Também já escrevi aqui sobre o assunto: a mesma enchente quetantos estragos causou no estado acabou favorecendo milhares de famílias que moram do lado de lá do rio. Com as alagações, os moradores finalmente desistiram de permanecer no local, possibilitando a continuidade das obras. E, pelo sim, pelo não, cada moradia desocupada era imediatamente demolida pelos funcionários da empresa.

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